O G. D. R. 1º Dezembro na “Mini Maratona de Portugal”- Parte I

Neste ano de 2006, o G. D. R. 1º de Dezembro de Casebres efectuou a sua 1ª participação na “Mini Maratona de Portugal” realizada a 24 de Setembro na Ponte Vasco da Gama em Lisboa.

Para seleccionar os seus representantes na VII Mini Maratona de Portugal, o G. D. R. 1º de Dezembro apurou os seus três melhores meio-fundistas que, para além de reconhecidas qualidades nas “minis”, se predispuseram a arcar com 16,00 € de inscrição e o transporte por sua conta e risco. Assim, lá foram seleccionados três exemplares da colheita “vintage” de 74 – o Esquecido, o Corantes e o Cristo!

Como o clube não paga despesas com hotéis e massagistas brasileiras, a partida de Casebres ocorreu no dia da prova pelas 6 H. da manhã (Casebres ainda está a mais de
100 km da capital). Chegados a Lisboa por volta das 8 H., já o Esquecido estava com fome e a organização não fazia abastecimentos antes da prova. Ocasião para uma paragem técnica, onde este merendou uma sandes de carne panada e um Sumol de laranja para arrotar!

De seguida, já de dorsal ao peito e boné da EDP na carola, apanharam o autocarro que os levaria ao local da partida no tabuleiro da Ponte Vasco da Gama. Por essa altura, já se encontravam milhares de pessoas no tabuleiro da ponte. Mas a visão era desoladora … tanta gente e não se via nem uma mesa ou um tachinho … nada … da feijoada nem o cheiro. O mais parecido terá sido quando passaram dois camiões de transporte de porcos que deixaram o seu inigualável odor (isto é real!!).

Após uma seca de hora e meia, lá deram a partida!! Alguns atletas de fim-de-semana começaram a correr. A maioria optou por um misto de marcha/corrida lenta e apreciação geral das vistas. E foi nesta fase da corrida que o G. D. R. 1º de Dezembro ia ficando sem atletas … não era do esforço … era antes devido ás dezenas de t-shit’s abandonadas no tabuleiro que, depois de lavadinhas e vendidas no Mercado do Pinhal Novo, dariam para concluir as obras da nova sede do clube. Mas não desistiram, a força psicológica dos atletas sobrepôs-se e continuaram a corrida.

(Continua)
 

 

Luís Tavares



O G. D. R. 1º Dezembro na “Mini Maratona de Portugal”- Parte II

(Continuação)

Nesta prova de 18 mil atletas, os representantes do 1º de Dezembro não eram os únicos cromos da corrida. Entre várias figuras engraçadas, havia um Anjo (fêmea no caso) que insistia em competir com os três magníficos, mas de nada lhe valeram as asas. Um corajoso atleta vestido de Bruxa que não lhes deu hipóteses, montou-se na vassoura e partiu rumo á meta, deixando-os pregados ao asfalto. Já o Palhaço deu bastante luta, sempre taco-a-taco, mas claudicou no final. Talvez por razões de saúde … tava a ficar com o nariz muito vermelho. Por falar em cromos, um tal de Sócrates também por lá andava, mas ficou muito cá para trás, nem mesmo com o Luís Filipe Vieira a protegê-lo do vento conseguiu uma boa classificação. Dizem que é do hábito de andar na traseira do pelotão!!

Decepcionante foram os dois abastecimentos … não faltavam águas, bebidas isotónicas, etc., … mas kadê as minis?!?! Então aquilo não era a “Mini de Portugal”?!?! Não se compreende esta falha da organização!!

Depois de uma ponta final magnífica, ultrapassando cerca de uma centena de cansados atletas na última recta, lá avistaram a meta. De mãos dadas e com algum sofrimento no rosto, tipo gladiadores, os três atletas cortaram a linha de meta 01h:14m após a partida, percorrendo
8 km. Um excelente tempo, apenas a 12 minutos do queniano vencedor (embora ele tenha feito 21 km).

Para retemperar as forças, havia que almoçar algo consistente. Excluídas as pizzas e os hambúrgueres, só restava rumar a Setúbal. Assentando arraiais na “Casa Cogumelo”, os três atletas retemperaram forças á volta de uma travessa de sardinha e de um jarro de tinto da casa.

Como prémio deste esforço para honrar as cores do 1º de Dezembro, vieram ainda as diversas dores corporais (músculos, tendões, ossos, …), mas nada que os atletas não pudessem suportar. Para quem já havia apanhado tomate nas férias escolares … isto era uma brincadeira!!

E assim termina a epopeia de três casebrenses na “Mini Maratona de Portugal”

 

Luís Tavares



FARPAS DE PALMO - II

A POLÍTICA DOMÉSTICA (Casebres)

 

Começo por informar que ao escrever este texto, tenho apenas a pretensão de tentar tecer comentários críticos (construtivos, se possível) sobre a conjuntura politico-partidária em Casebres ou na Freguesia de São Martinho. Contudo, de modo algum pretendo individualizar ou fazer qualquer tipo de observações pessoais aos meus conterrâneos envolvidos nestas lides, que corajosamente as enfrentaram.

De uma forma genérica e menos rigorosa, relembro que as gentes da nossa freguesia, humildes pessoas do campo bastante sacrificadas até 1974, aderiram massivamente ao PCP, embora tenha sérias dúvidas que tenham aderido aos ideais comunistas. Numa análise algo sociológica, poder-se-ia afirmar que estávamos perante o chamado “efeito de pêndulo” (após uma grande opressão de direita, naturalmente, as pessoas irão agregar-se á esquerda).

Agora que estão volvidos mais de 32 anos sobre a “Revolução dos Cravos”, os resultados eleitorais demonstram, com alguma estabilidade, um forte e ainda dominante papel do PCP/CDU e uma pequena, mas activa oposição por parte do PS, sendo que os resultados eleitorais dos restantes partidos são inexpressivos.

Portanto, não restam dúvidas de que a Freguesia de São Martinho se encontra nesta dicotomia entre comunistas e socialistas. Mas o que é que a freguesia poderá beneficiar desta correlação de forças partidárias?? A meu ver … e aqui entra o meu cepticismo partidário … nada!! Até há quem afirme que os partidos políticos só servem para afastar e dividir as pessoas. Mas aí não posso concordar. Acho que, nos casos em que possam existir movimentações entendidas como separatistas ou desagregadoras da população, tal se deverá aos políticos directamente envolvidos e não aos partidos que lhes estão subjacentes.

Verdadeiramente, o que interessa á população de Casebres é que os seus eleitos, independentemente da sua cor partidária, façam um bom trabalho em prol da melhoria das condições de vida das pessoas. E esse trabalho inovador, dinâmico e proveitoso, poderá ser alcançado por eleitos de qualquer partido político. Em suma, não é uma questão de partidos, mas sim de pessoas!!

Só para remate final apraz-me dizer que Casebres e a Freguesia de São Martinho carecem de projectos dinamizadores e de pessoas que concretizem os mesmos, dispensando-se as tricas partidárias que nada de novo trazem.

 

Nota: Agora que toco neste assunto algo sensível e sem falsas modéstias, não posso deixar de enaltecer o papel preponderante e cúmplice do meu grande amigo Carlos Pombinho, companheiro de inúmeras batalhas e lides, com quem tive a honra e o prazer de trabalhar quase toda a minha vida em prol das pessoas de Casebres, de uma forma discreta, mas pedagógica. Assim outros, políticos ou não, nos sigam os passos do empreendedorismo e da honestidade.


 

Luís Tavares



FARPAS DE PALMO - I

A POLÍTICA CASEIRA (Alcácer do Sal)

 

Dá-me um enorme prazer não ter uma filiação ou simpatia partidária, pois assim posso ter livres e críticos pensamentos políticos sobre todo e qualquer partido, de uma forma desapaixonada e desinteressada. Para mim, os partidos políticos são como as seguradoras … são todos igualmente maus … talvez sejam vistos na sociedade como um mal necessário.

Nos aspectos mais específicos do chamado Poder Local, tenho o prazer de não conhecer pessoalmente as pessoas visadas, o que me dá o conforto de poder dizer os maiores disparates sem qualquer censura da “voz da consciência”.

Comecemos pelo PP, a versão remix no século XXI do “velho CDS”. Sendo um partido muito ligado à lavoura, parece ter no concelho o apoio clubista de seis ou sete famílias de lavradores que ainda mantêm os seus feudos e nada mais.

O BE, que não sendo um partido, é a força política que mais potencialidade tem para crescer em Alcácer do Sal. Naquele género de política “cool, tá-se bem” que parece ficar nos tímpanos da (pouca) juventude, poderão explorar essa franja populacional e aumentar o seu peso … resta saber para quê.

O PSD tem uma atitude muito sensata. Ora num concelho reconhecidamente esquerdista, nada melhor que passar despercebido e manter sempre o mesmo elenco dirigente, em todo e qualquer embate político e qualquer que seja o seu resultado. O grupo do costume, que ocupa os lugares do costume, com a votação do costume … Fazer parte do executivo municipal deve dar muito trabalho …

A CDU ou o PCP de Alcácer (não sei quem era o candidato) adoptou uma estratégia “kamikaze”, julgando que os eleitores os seguiriam cegamente fosse qual fosse o rumo (se é que este existia). Obtiveram uma mostra de maturidade das gentes de Alcácer do Sal e certamente que daí recolherão ilações. Leva-me a pensar que só podem ter esquecido que após Gorbachev seguiu-se Iéltsin e não Tchernenko ou Brejnev.

Termino com o PS (partido em funções), de quem dizem ter um bom líder. Parece-me aquele exemplo muito conhecido de equipa imposta pelos dirigentes ao treinador escolhido. Coitado do homem, lá teve que se agregar com a malta do aparelho. Começaram a época com uma limpeza de balneário, mas os resultados teimam em não aparecer … os eleitores não têm muita paciência … a “chicotada psicológica” parece inevitável.

E assim vai a política local de Alcácer do Sal, vista pelos olhos deste outsider. Só me restará dizer – “Acordem! O concelho precisa de projectos políticos bem melhores!!

 

Nota: Estas linhas tiveram uma grande inspiração nos meus bons amigos, Marco e Liliana, amantes da intelectual tauromaquia, pois … nada melhor que picar o touro para se obter uma boa lide !!


 

Luís Tavares