December 18, 2006 - Posted by casebres- 0 Comments
Decerto que já estou um “cota”!! Apanho-me a observar os miúdos de hoje e a compará-los com aqueles miúdos que eu conheci quando também o era. Para confirmar os efeitos da p. d. idade, não consigo deixar de resmungar com eles e criticar quase tudo o que fazem. Pareço a minha avozinha a falar comigo quando eu tinha dez anos.
Porém, a força das circunstâncias leva-me a ter que “dar uma no cravo e outra na ferradura”. Ou seja, os miúdos são outros, o mundo é outro e os factores que sobre eles incidem também o são. Hoje, não é fácil encontrar pais e famílias que permitissem aos seus rebentos um dia-a-dia activo como eu e os meus amigos tínhamos, do género:
8:30 H. – Levantar cedo para ter mais tempo para brincar com os amigos;
8:40 H. – Tomar um copo de Cola-Cao, á pressa, porque o pessoal já está á espera;
8:45 H. – Juntar as ferramentas básicas (machado, alicate, turquês, martelo, punhal, …) e montar na bicicleta para ir ter com a malta no largo do talho;
8:50 H. – Meia hora de “conversa da treta” entre a malta. Há que conversar sobre o filme da noite anterior (se for o caso, pois só haviam dois canais e ver filmes … só à 4ª feira á noite e ao sábado), sobre o Benfica/Sporting, sobre um ninho de corujas que alguém descobriu e, por fim, há que planear a “expedição” deste dia (locais, actividades, distribuição de tarefas, ferramentas e materiais a usar, …);
9:20 H. – Partida de bicicleta para o local definido, com passagem pelas hortas, onde é feito o abastecimento de víveres para esse dia (laranjas, maçãs, morangos, pêssegos, melancias, …, a chamada “fruta da época”);
10:00 H. – Chegada ao local (muitas vezes, a vários quilómetros de casa) e início dos trabalhos, tipo:
- Abate de eucaliptos para obter varas para a construção de uma barraca (todas as actividades tinham uma barraca, que funcionava como Quartel General – víamos muito o Tom Sawyer na altura);
- Pregar e atar as varas da estrutura da barraca, para suportar os ramos que cobriam o telhado e as paredes da mesma;
- Capturar “xixitos” (peixes com o formato e cor de uma piranha, embora não sejam carnívoros … vocês sabem o que é) com arco e flecha feitos com três varetas de guarda-chuva;
12:00 H. – Acender o lume, no chão, para assar o peixe;
13:00 H. – Almoçar o peixe assado, acompanhado de um sumo de laranja da Superfruto (a Coca-Cola só lá chegou anos depois) e a fruta previamente “desviada” das hortas;
14:00 H. – Início dos trabalhos de construção de uma jangada com paus de eucalipto, atados uns aos outros, e garrafões de lixívia vazios (nesta altura ainda não se bebia água mineral … pelo menos em Casebres);
16:30 H. – Hora do banho na barragem da Azenha – três horas reservadas às brincadeiras aquáticas (travessias, batalhas pela jangada, pólo aquático, corridas de gamelas, …). Pelo meio comiam-se amoras silvestres que, para além de abundarem, alimentavam aqueles que andavam pelo campo;
19:30 H. – Voltar á barraca, pois os inimigos poderiam ter atacado e destruído o Q. G.. De caminho, passar pelo ninho das corujas para ver se estavam prontas para a recolha;
20:00 H. – Toca a paixão do futebol … ruma-se ao campo da bola para a habitual e obrigatória peladinha;
21:30 H. – A noite acaba por cair, é inevitável o regresso a casa e o arrumar da bicicleta. A nossa mãe aguarda-nos com a pergunta do costume: “-Onde é que estiveste até estas horas ?!?!”. E nós, do alto dos nossos noventa centímetros e entre duas colheradas de sopa, respondemos com toda a naturalidade: “-Estive com a malta ! Eu já tenho oito anos !!”
Luís Tavares
December 14, 2006 - Posted by casebres- 1 Comment
Até me arrepiei de ler….
É daqueles textos que parecem um filme.
Antes de mais: Parabéns Luís !
Foi sem dúvida tempos de juventude bem passados, apesar dos nossos trabalhos serem em prol dos outros, era com grande gozo que os realizávamos e a verdade seja dita, também nos divertíamos !!! Saber que fazíamos directas… claro que com a companhia de uma garrafa de moscatel, (que durava apenas até à meia-noite!).
Foram tempos entusiastas e sempre que se aproximava as tais datas de celebração…. os neurónios começavam logo a imaginar o que se podia fazer com os orçamentos limitados que tínhamos à nossa disposição (que era sempre na casa dos
0,00 €), mas a boa vontade de todos (Junta de Freguesia, principalmente), fez com que tudo se realizasse sempre com sucesso!
Aproveito também para realçar os agradecimentos que o Luís disse no texto da “velhinha” comissão de jovens, relativamente às entidades institucionais da nossa freguesia, assim como às participações de todos os jovens que sempre colaboram nas iniciativas.
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Nota: Também não nos podemos esquecer que o Lesma (Zéi, para mim) teve intervenção directa em algumas iniciativas, pois era ele o responsável pela nossa companhia… entenda-se: garrafa de moscatel !!
Carlos Pombinho (Beto)
December 11, 2006 - Posted by casebres- 1 Comment
Grandes malucos nós éramos e ainda o somos. Tantas horas de descanso perdidas em troca do quê … de quase nada. Tudo foi feito por puro e simples gozo e satisfação pessoal daqueles que nelas participaram. Por incrível que pareça e modéstia á parte, ainda há quem tudo dê aos outros sem esperar nada em troca.
Éramos uns miúdos de treze anos e decidimos que queríamos organizar e realizar coisas para os outros (hoje em dia toda a gente realiza eventos, mas nós fazíamos coisas). Assim surge a denominada “Comissão de Jovens de Casebres” !! O Beto sacou do Windows 3.11 um boneco de um miúdo de fisga na mão e estava arranjado o símbolo para a comissão.
Já nem me lembro por onde começamos. Mas tenho bem presente na memória o passeio que organizámos a Mértola, Alcoutim, Castro Marim e V. R. S. António. Contactámos as câmaras municipais, delineamos o percurso, arranjámos o autocarro e lá fomos nós, cerca de sessenta adolescentes a curtir um passeio ao Algarve. Depois seguiu-se o passeio a Cascais. Com direito a guia turístico e tudo. A Câmara Municipal de Cascais foi impecável connosco.
Tivemos também aquela ideia peregrina de fazer a 1ª Noite de Rock de Casebres (1º e única, por razões óbvias) junto com a Festa da Alegria. Contratámos os “Zé Manel Suicida” para cabeça de cartaz e outras duas bandas de garagem. Foi um fiasco tremendo … saiu-nos cara a experiência. Casebres ainda não estava preparada para nós!
Mas toda a gente nos conhece pelas colaborações assíduas e gratuitas com a Junta de Freguesia de São Martinho (muitas noitadas e algumas directas) na organização das comemorações do 25 de Abril e 1º de Maio, aniversários da freguesia, … e, verdade seja dita, também eles nos apoiaram sempre que lhes pedimos. Desta relação saíram os “Jogos sem Barreiras”, a “Caça ao Tesouro”, as provas de BTT, as provas de atletismo e, a jóia da coroa, os nossos Rally Papers. Ao cabo de várias edições de Rally Papers á volta de Casebres, tenho a certeza que muito demos a conhecer sobre a sua história, as suas instituições, as suas gentes e tradições. E quem não sabe o que é o “conta azulejos” ou a data de construção da ponte e da fonte pública e imensas outras coisas ?!?!
Toda esta dedicação valeu-nos muitas horas “perdidas”, algum reconhecimento público e diversas condecorações por parte da Junta de Freguesia.
Mas afinal de contas, quem são os membros da Comissão de Jovens de Casebres ?? Nunca ninguém soube ao certo !! O pessoal ia variando em função das tarefas a desempenhar. Claro que os mais assíduos eram o Luís e o Beto. Mas regularmente havia a mão amiga do Marco, do Sérgio Coelho, do Cravosa e de outros.
E pensar que já foi quase há vinte anos que tudo começou …
Nesta hora de balanço, não posso deixar de agradecer á Junta de Freguesia de São Martinho, através dos seus presidentes João Luís Marques, Manuel Farrombão, Domingos Tavares e Custódio Coelho, e ao Grupo Desportivo e Recreativo 1º de Dezembro, na pessoa do seu presidente Ângelo Pombinho.
Luís Tavares
December 5, 2006 - Posted by casebres- 6 Comments
Foto in Correio da Manhã
Há muito que o Pontão de Gargolim, tal como outras pontes e pontões, anunciavam um perigo de ruptura e, eventualmente, de queda. Mas já passaram vários anos sobre o desastre de Entre-os-Rios e nada se aprendeu desde então, pois “a culpa morreu solteira”. Além de que no Pontão de Gargolim não caberia um autocarro, logo os danos seriam sempre “mínimos”.
Ninguém lhe dava muita importância, até que a força das intempéries o colocaram em perigo de queda. Faz lembrar aquelas pequenas feridas nos pés a que ninguém liga, até ao dia em que já não se consegue andar por causa das dores que provocam.
Adiante, agora que o mal estava feito, havia que reparar e minorar os seus estragos com urgência. Bom, aqui começa mais um capítulo desta telenovela de ascendência venezuelana, onde nunca se passa nada nos primeiros duzentos episódios. Como artista principal tínhamos a Câmara Municipal de Alcácer do Sal, no papel secundário estava a Junta de Freguesia de São Martinho e a população de Casebres participava como figurante a quem não era dado qualquer fala e ainda pagava os custos desta produção cénica.
- A população de Casebres não poderia ficar impedida de aceder à cidade de Alcácer do Sal, a sua sede de concelho, pelo que a reparação do pontão revestia o “carácter de urgência” – informava fonte da Câmara Municipal.
Curioso, volvido um mês e tudo continua na mesma!!
Mas ao jeito de uma boa telenovela … nesta parte final tudo poderá acontecer e, quem sabe, a população de Casebres ainda venha a ser brindada com um pontão de elevada qualidade, com pavimento em veludo e luzinhas natalícias, tocando o “jingle bell” pela Banda da Calceteira sempre que um veículo o cruza.
Ainda há quem acredite no Pai Natal …
Para esses restará um conselho … escrevam-lhe a contar o vosso desejo e depois logo se verá!!
Luís Tavares