July 18, 2006 - Posted by casebres- 2 Comments
Foi num dia 10 de Junho que fui a Casebres pela primeira vez.
Dia 10 de Junho “Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas” e como esta pitoresca aldeia, representa bem as típicas aldeias portuguesas! As típicas aldeias alentejanas, com as ruas limpas e casas geometricamente alinhadas, caiadas e listadas de azul e ocre amarelo.Tenho também “uma costela” alentejana, talvez por isso, ao chegar a Casebres senti-me perfeitamente
em casa. A calmaria vivida por aquelas bandas, serve de elixir da longa vida, melhor que quaisquer anti-stressantes tão úteis, para quem o seu quotidiano é o corrupio das vidas citadinas.O motivo que nos levou a Casebres, foi uma grande sardinhada, à sombra dos sobreiros, na Barragem da Azenha (em 2005 praticamente vazia, devido à seca que se fez sentir, um pouco por todo o país). Comemos e bebemos, falámos e rimos… ambiente próprio de um grupo de amigos entre os 20 e os 30 e tal anos! E naquele magnífico dia de Junho, os únicos seres que não foram bem-vindos, nem se enquadravam no sossego daquela tarde quente, foram mesmo os mosquitos e as formigas! E apesar de tudo, também eles fizeram parte da festa… Afinal estávamos no campo, entre amigos, de calção, “t-shirt” e chinelo no pé…Estávamos à vontade.Estávamos em casa.
Estávamos em Casebres!
A culpa disto foi do meu amigo Luis Tavares!
Célia Antas
July 3, 2006 - Posted by casebres- 2 Comments
Nota prévia: - Desde já aviso que estou a escrever estas linhas após o jogo Portugal vs Inglaterra e assumo-as independentemente do desfecho do Campeonato do Mundo de Futebol, embora com o discernimento turvado por alguma emotividade.
Quem é o português que consegue ouvir o seu hino nacional, sem sentir um ligeiro arrepio misturado com um orgulho de ser português ?! E não estou a falar só de futebol … digo-o em toda e qualquer circunstância.
Em 2004 chegou o Sr. Scolari e lançou a ideia das bandeirinhas e do apoio á nossa selecção de futebol. Não hesitaram os críticos do regime em achincalhar essa ideia e a rotular os portugueses de pirosos e pimbas.
Mas num país com mais de 400.000 desempregados e onde mais de 2.000.000 de pessoas vivem abaixo do limiar da pobreza (segundo o Eurostat), ou seja, com menos de € 300,00 por mês, o ego nacional andava bem por baixo e foi preciso aparecer um brasileiro para unir as pessoas em torno de uma causa nacional. Os portugueses, ao contrário do que por aí se diz, não são estúpidos ou facilmente influenciáveis. As bandeirinhas, mais que uma moda, são um sinal de união e de esperança, que em nada belisca a nobreza da nossa nação.
“Á janela uma bandeira, no relvado uma nação inteira” é o slogan inscrito no autocarro da selecção nacional de futebol. Portanto, deixem sonhar estes cidadãos que pouco mais têm que o orgulho de serem portugueses !
Dedico estas linhas a todos os que se revêem, de alguma forma, na minha concepção e, em especial, ao meu grande amigo Pepe.
Luís Tavares
April 17, 2006 - Posted by casebres- 4 Comments
Por falar em desportos olimpicos lembrei-me que em tempos, mesmo antes do snowboard, rafting ou mesmo o rappel, já se pratricava em Casebres actividades bem mais radicais que estas, por exemplo; quem não se lembra da construção de barracas em cima de árvores a alguns metros de altura, talvez um 1º ou 2º andar … e andavamos sem cordas!!! As “guerras” entre aldeia de baixo e aldeia de cima com arco e flecha, fisga e até mesmo com as já inexistentes “afundas”… isso é que era adrenalina !!!
Mas o maior de todos e mesmo o mais perigoso (acho eu…) era sem dúvida o rebentamento de “dum-dum” (passo a publicidade), ou seja o pessoal arranjava umas latas sob pressão de pesticidas, insecticidas, limpa-pó, etc., enfim tudo o que supostamente não pudesse ir ao lume porque poderia rebentar… (e era essa a nossa intenção!), fazia-se uma fogueira e pronto, estava tudo ok para começar o espectáculo. Depois era ver a malta a colocar as latas no lume e fugir para se esconder atrás das árvores e assim assistir ao rebentamento das ditas latas.
Digam lá … era ou não era Radical !!! Qual pirotecnia qual quê !!!
P.S. Já nem falo dos jogos de futebol entre a aldeia de baixo e a aldeia de cima…
Carlos Pombinho (Beto)
April 13, 2006 - Posted by casebres- 3 Comments
Quando eu era miúdo (e muitos, muitos outros como eu) e frequentava a Escola Primária de Casebres, não se falava em decréscimo demográfico, nem no encerramento de escolas primárias.
Éramos um grupo de normalíssimos miúdos que, entre muita brincadeira e outras actividades, lá aprendia alguma coisa (e sem explicações … éramos uns radicais!!). Agora não se pense que na escola nos limitávamos ao tradicional “b–á-bá”, nada disso, o nosso ensino ia muito mais adiante … formava pessoas … nada de robôs telecomandados pela Tv.
Há dias quando lia a lista dos desportos oficiais dos Jogos Olímpicos de Verão, verifiquei que a “minha” escola primária me preparou na sua quase totalidade. A título de exemplo, posso explicitar com alguns factos reais, do género:
1) Andebol – nada mais que o nosso “Jogo do Mata”, embora sem as balizas e com mais contacto da bola no corpo. Ás vezes, só para dar mais pica, trocávamos a bola por pedras …
2) Atletismo – esta era uma das modalidades obrigatórias, havia sempre um miúdo a fugir de outro ou da professora quando se tratava de TPC’s;
3) Ciclismo – éramos obrigados a fazer, tínhamos que ir de bike para a barragem e para as herdades em volta da escola;
4) Hipismo – esta era uma modalidade difícil … nem sempre se conseguia agarrar a mula do Cantigas que pastava junto á escola;
5) Natação – com três meses de férias grandes dentro da barragem … imaginem …
6) Remo, Canoagem e Vela – tínhamos uma coisa parecida, eram as corridas de jangadas ou de comedouros das vacas, mas o vento era fraco para a vela, embora as pedras que choviam da margem nos fizessem bolinar;
7) Boxe, Judo, Lutas Amadoras e Taekwondo – nós fazíamos várias vezes ao dia um exercício que agrupa estas várias modalidades, era a porrada colectiva, com pouca técnica, mas muita dedicação;
Esgrima – as espadas eram coisa que só servia para levar porrada dos outros, gostávamos mais da esgrima com paus, era uma coisa mais de “macho”;
9) Tiro – também éramos adeptos desta modalidade e praticávamos com assiduidade, os pardais que o digam (os que escaparam, claro);
10) Futebol – esse é o desporto rei, em qualquer ocasião o fazíamos e a professora até participava como arbitro (ela que me desculpe a gracinha);
11) Ginástica – era o que fazíamos para nos safarmos dos donos das hortas quando gamávamos a fruta, muito jogo de cintura;
12) Marcha – os praticantes e adeptos desta modalidade que me desculpem, mas tenho que ser sincero, esta nós não praticávamos … a malta achava a coisa um bocadinho “abichanada”;
Conclusão a retirar: as criancinhas que frequentavam a Escola Primária de Casebres não eram delinquentes, eram apenas atletas olímpicos!!
Luís Tavares
February 8, 2006 - Posted by casebres- 6 Comments
Apetece-me partilhar com os restantes cibernautas uma história verídica que ocorreu comigo há uma meia dúzia de anos.
Nos gloriosos tempos em que ainda frequentava o curso universitário, numa noite de uma banalíssima segunda-feira de aulas, comentava eu para um grande amigo e companheiro de todas estas lides académicas:
- Epá !! Na sexta-feira passada tive uma noite espectacular! Depois de sair das aulas, fui para Casebres e cheguei á sede do Grupo Desportivo aí pela meia-noite e meia. Quando entrei, estavam cerca de uma dezena de amigos (amigos de infância, acrescento agora) á volta de uma mesa com um tacho ao centro. De imediato me chamaram e pediram que me sentasse com eles. Comecei por comer uma dose de lebre cozida com repolho e feijão, seguiram-se uns passarinhos fritos e terminámos com o javali de molhinho (aproveito para afirmar que não paguei nada do que comi). Claro que este serão terminou já bem de madrugada e após várias dúzias de “minis”, a recordar histórias engraçadas que só acontecem a quem vive no campo e em comunidade.
Nesta ocasião, o meu amigo tem uma saída que me pareceu muito feliz:
- Tu tens uma sorte do caraças em nascer em Casebres! Eu nasci na Avenida Gago Coutinho em Lisboa e hoje, se lá voltar, ninguém me conhece, nem sabem quem eu sou!!
Pois é, a vida é assim. Nem todos têm a felicidade de nascer em Casebres !!
Luís Tavares
January 19, 2006 - Posted by casebres- 1 Comment
É muito provável que não exista nas redondezas de Casebres um habitante que não conheça “O Galinholas”, o melhor (e único) estabelecimento self-service de refeições e petiscos de Casebres e arredores!
Bem podem vir as cadeias alimentares multinacionais americanas ou espanholas, com todo o seu “know-how”, que ainda estão a anos-luz do Galinholas. Também sei que as grandes potencias não gostam de reconhecer que existem outros que o fazem melhor, mas aí, “O Galinholas” de Casebres ganha-lhes aos pontos.
Passemos a enumerar algumas das características únicas e “radicais” deste self-service alentejano. Claro que mantendo bem guardados os segredos seculares que passaram de geração em geração até ninguém se lembrar de nada, mas só assim há a garantia que os mesmos permanecem ocultos.
a) N’ “O Galinholas” o cliente come sempre aquilo que pretende, também … se é ele que traz de casa …
b) O petisco é cozinhado da forma que o cliente mais deseja. Se é ele que o cozinha …
c) A porção de comida a ser servida varia em função da quantidade que o próprio cliente prepara, nunca existem queixas!
d) O cliente não reclama com o cozinheiro, nem lhe paga pelos serviços prestados;
e) Há sempre lugar para mais um ou vários clientes á mesa, mesmo que não tenham sido convidados (espírito alentejano, bem se compreende!);
f) As bebidas são ingeridas em quantidades industriais, para que possam afirmar com a clareza possível qual das marcas de vinho ou cerveja caí melhor;
g) E já agora … em qual cadeia de “fast food” é possível que o cliente possa lavar o seu próprio prato, após o farto repasto ?!!?
Podem todos ter a certeza que n’ O Galinholas comem-se dos melhores petiscos nacionais, feitos com aquele carinho e mestria que um espírito desinteressado e despreocupado podem adicionar à iguaria.
Ah!! … já me esquecia … todos os petiscos têm a garantia de uma reciclagem e reaproveitamento futuro, ou seja, traduzindo para alentejano, o cão que caçou o petisco está sempre por perto para comer os restos. É o ecossistema a funcionar na perfeição!
As multinacionais ainda têm muito que aprender com os alentejanos !!!
Luís Tavares
January 17, 2006 - Posted by casebres- 1 Comment
Os censos do I. N. E. e todos os trabalhos demográficos o confirmam. A população portuguesa está a envelhecer!! Isto dito desta forma é uma simples constatação lógica, nem precisaria de estudos para o confirmar. Mas a realidade é que a população portuguesa (europeia, americana e outras) está a envelhecer no seu todo, … cada vez os portugueses estão mais velhos !!
Este tema permite a elaboração de inúmeros estudos, teses, doutrinas, tratados, etc… Não tenho a pretensão de entrar nesses caminhos académicos, apenas me debruçarei suavemente sobre uma particularidade específica daí decorrente, o envelhecimento das células cerebrais.
Julgava eu, na minha reconhecida ignorância, que as células cerebrais apenas envelheciam com o decurso dos anos ou, em casos mais raros, embora cada vez mais frequentes nos dias que correm, através da acção degenerativa de qualquer doença.
Só há algum tempo atrás me apercebi que havia outra forma “anormal” de envelhecimento das células cerebrais que, embora não as destrua, coloca as mesmas num estado vegetativo, donde só respondem perante determinados estímulos. Agora não se pense que estes estímulos serão as grandes causas sociais, humanitárias, ambientais, nacionais ou transnacionais, nada disso … Estas células cerebrais “artificialmente” envelhecidas apenas respondem perante programas de TV estupidificantes, telenovelas em cadeia, as chamadas “revistas cor-de-rosa”, guias de automóveis e motos, catálogos de vendas ao domicilio, televendas, etc…
Questão óbvia será como se detectam os sintomas deste envelhecimento. Aqui existem inúmeros indícios que deverão alertar todos aqueles que envolvem a pessoa afectada. A título exemplificativo poderei citar alguns casos mais frequentes, tais como:
a) Ao perguntar a alguém se está preocupado com a subida das prestações do crédito á habitação e essa pessoa lhe responder que está preocupada sim, mas com a expulsão do Zé Manel do programa “Big Company 123”, não tenha dúvidas;
b) Se um familiar seu não souber quem é o Presidente da Comissão Europeia, mas já souber o que irá acontecer na telenovela “Morangos como Tu” na semana seguinte, pode-lhe preencher os papéis para a reforma;
c) Alguém que não sai de casa para ir votar, mas faz 30 km para ver a actuação do “Tony Monteiro”, nem se comenta;
Muitos exemplos poderiam ser dados, mas prefiro afirmar que esta “doença” de cura difícil pode ser afastada com uma adequada prevenção. Cumpra o seu dever de Homem e cidadão, pois o mundo é aquilo que dele fazemos. E por aqui me fico !!!
Luís Tavares